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Ventos extremos em galpões industriais: FM Approved na segurança da obra

Prancheta 1

A pergunta que todo responsável técnico deveria se fazer antes de especificar uma cobertura

Às três horas da madrugada de uma terça-feira, um galpão industrial de 5.000 m 2 está em plena operação. Equipamentos em funcionamento, estoque armazenado, colaboradores no turno noturno. A velocidade do vento começa a aumentar: rajadas de 80 km/h, depois 120 km/h, depois 160 km/h. Em menos de vinte minutos, o vento atinge 200 km/h com picos de sucção que exercem forças ascendentes devastadoras sobre cada metro quadrado da cobertura.

A pergunta que define o que acontece nos minutos seguintes foi respondida meses ou anos antes no momento em que a cobertura foi especificada.

Se a cobertura passou por um regime de testes rigoroso que simula exatamente esse cenário, a operação segue normalmente. Se não passou, o desfecho pode ser a falha estrutural progressiva, com telhas que se soltam, água que invade o interior do galpão e uma parada de produção cujo custo é contado em milhares ou milhões de reais por hora.

Este artigo examina, com profundidade técnica, o que acontece com uma cobertura industrial submetida a ventos extremos e qual é o papel da certificação FM Approved como parâmetro de engenharia para garantir que o desfecho seja a segurança e a continuidade do negócio.

O vento como carga estrutural: o que a NBR 6123 estabelece e onde os testes FM vão além

A NBR 6123 (“Forças devidas ao vento em edificações”) é a norma brasileira que define os parâmetros para cálculo das cargas de vento em projetos estruturais. Ela estabelece a velocidade básica do vento para cada região do país por meio de isopletas curvas. Em Curitiba (PR), V0 = 45m/s (162 km/h); no litoral de Santa Catarina, V0 = 48m/s (173 km/h).

A velocidade característica do vento Vk é calculada multiplicando-se V0 pelos fatores S1 (topografia), S2 (rugosidade do terreno, dimensão da edificação e altura) e S3(fator estatístico). A partir de VK, calcula-se a pressão dinâmica:

q= 0,613 X Vk 2

Para um galpão industrial padrão de 10 metros de altura em terreno aberto, a pressão dinâmica de projeto pode ultrapassar 1.200 N/ m 2. A pressão de sucção na cobertura que efetivamente “puxa” a telha para cima pode ser significativamente maior devido aos coeficientes aerodinâmicos negativos previstos em norma.

No entanto, há uma diferença crucial entre teoria e prática: a NBR 6123 define as cargas teóricas que o projetista deve considerar, mas ela não testa o sistema de cobertura.

A validação experimental a comprovação de que o sistema montado resiste às cargas calculadas ao longo de milhares de ciclos de aplicação e alívio de pressão é o domínio das certificações internacionais. É exatamente nesse ponto que o FM Approved se torna indispensável.

A anatomia do colapso: como uma cobertura sem certificação falha sob rajadas extremas

Sob a ação de ventos que atingem ou superam a faixa dos 180 km/h a 200 km/h, uma cobertura metálica convencional não falha por rompimento imediato das chapas de aço, mas sim por um processo dinâmico de fadiga mecânica e concentração de tensões nos pontos de fixação.

Em sistemas convencionais (parafusados com perfuração exposta), o colapso segue um padrão claro:

  • Efeito Pull-through e Pull-out: O vento gera uma força de sucção (pressão negativa) sobre a cobertura. Toda a carga exercida em metros quadrados de área de influência é transferida para a pequena arruela de cada parafuso.
  • Ciclos de microdeformação: Rajadas de vento causam ciclos rápidos de deformação e alívio. Esse movimento contínuo alarga os furos no aço e degrada as arruelas de vedação.
  • Infiltração e perda de estanqueidade: Antes mesmo da telha se soltar, a ovalização dos furos rompe a vedação, permitindo a entrada de água sob alta pressão.
  • Falha em cadeia (Efeito Dominó): Quando o primeiro fixador cede, a área de influência sobre os parafusos vizinhos dobra instantaneamente. Sobrecarregados, os fixadores subsequentes falham em milissegundos, provocando o arrancamento em cadeia de fiadas inteiras. As telhas soltas viram projéteis aerodinâmicos.

A razão pela qual o sistema de telhas zipadas da ArtServ alcança a certificação FM Approved reside no seu conceito de engenharia: a eliminação total de perfurações expostas e a distribuição uniforme de esforços.

  • Fixação oculta com clipes deslizantes: A telha é presa à estrutura suporte por clipes posicionados no interior da junta. Esses clipes possuem um canal que permite a livre dilatação e contração térmica do aço sem gerar tensão nos pontos de fixação.
  • Zipagem mecânica contínua: As bordas longitudinais das telhas são dobradas continuamente por uma ferramenta mecânica de zipagem (cravamento em 360°), transformando a cobertura em uma membrana metálica contínua e monolítica.
  • Distribuição linear de cargas: Quando o vento de 200 km/h gera forças de sucção, a carga não fica concentrada em furos de parafusos; ela é distribuída ao longo de toda a linha de zipagem e repassada progressivamente aos clipes.

Visão de custo do ciclo de vida (LCC) e o impacto no seguro patrimonial

Para gestores de ativos e diretores industriais, a especificação de uma cobertura certificada pela FM Approved é uma decisão financeira de alta eficiência (Life Cycle Cost):

Como a FM Global é uma das maiores seguradoras patrimoniais do mundo, edificações industriais que utilizam sistemas certificados FM Approved obtêm classificações de risco superiores, resultando em redução direta nos custos das apólices de seguro.

Quando o senso comum dá lugar à engenharia de precisão

Especificar a cobertura de um galpão industrial sob a premissa de que “qualquer telha metálica suporta o vento” é um risco que a física e as mudanças climáticas desmentem constantemente. Eventos de ventos extremos e tempestades severas deixaram de ser exceções estatísticas para se tornarem variáveis reais de projeto.

A NBR 6123 estabelece a carga teórica. Contudo, é a certificação FM Approved que garante que a telha, o clipe, o projeto e a zipagem funcionarão como um sistema integrado e indestrutível sob condições extremas.

Ao optar por um sistema de telhas zipadas certificado pela ISO 9001 e com o selo FM Approved da ArtServ, o responsável técnico garante a blindagem do ativo imobiliário e a certeza de que, sob ventos de 200 km/h, a única resposta da sua estrutura será a continuidade absoluta dos negócios. 

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